Trombofilia e infertilidade: entenda a relação

Trombofilia e infertilidade: entenda a relação

Você já ouviu falar sobre a relação entre trombofilia e infertilidade?

Essa doença é temida por muitas famílias exatamente por aumentar a dificuldade de engravidar e, também, de levar uma gestação até o fim. Considero a infertilidade um assunto sério e já acompanhei de perto o sofrimento de mulheres com mais de 2 ou 3 abortos consecutivos devido às trombofilias.

No entanto, só após tantas perdas é que muitas investigam a fundo e descobrem que a causa pode estar relacionada às trombofilias

Hoje vamos entender mais sobre as trombofilias e como elas podem aumentar a dificuldade em engravidar e levar a gestação até o fim.

O que é trombofilia?

A mulher com trombofilia conta com o sague mais grosso que o normal, o que dificulta a sua passagem pelos vasos sanguíneos.

Assim, a chance de desenvolver coágulos é maior e por consequência aumenta o risco de trombose. Quando o coágulo se desprende, sai pela corrente sanguínea até entupir um vaso sanguíneo de menor calibre.

As trombofilias são divididas entre hereditárias e adquiridas.

E o que faz alguém adquirir esse problema? Normalmente, os hábitos de vida.

Hoje, sabemos que uma das principais causas de trombofilias que são desenvolvidas com o tempo é o uso de anticoncepcionais hormonais.

Ao mesmo tempo, má alimentação, sedentarismo e obesidade também contribuem para as trombofilias adquiridas.

Já as trombifilias hereditárias são aquelas, como o próprio nome diz, herdadas de família.

Diagnóstico e tratamento

O tratamento para a trombofilia está intimamente ligado ao diagnóstico.

Existem diversos tipos de trombofilias, com diversas combinações, homozigóticas, heterozigóticas, entre outras.

Assim como existem diferentes trombofilias, os tratamentos também variam. Existem os anticoagulantes injetáveis, via oral, e sempre administrados em doses personalizadas e dentro de uma mudança de estilo de vida.

Trombofilia e infertilidade

Precisamos entender a infertilidade como dificuldade para engravidar e também de levar a gestação adiante.

Para se fixar no útero, o embrião depende que o sangue chegue até ele de forma abundante. É nesse sangue que contém todos os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento.

Quando a circulação sanguínea está prejudicada pela trombofilia, os nutrientes não chegam, ele pode não se desenvolver da maneira adequada e os riscos de perda gestacional aumentam.

Por outro lado, uma dose excessiva de anticoagulante pode deixar o sangue ralo demais. Assim, pode não perder pela falta de nutrientes para o feto, mas, o risco de hemorragias aumenta.

É por isso que identificar a trombofilia, seu tipo e o pontencial da mulher desenvolver trombose, é tão importante para definir o melhor tratamento e, assim, a gestação possa evoluir com sucesso.

Sabemos que existe uma grande dificuldade é a realização de exames, afinal, em muitos casos são autorizados apenas quando a mulher já conta com histórico de abortamentos ou casos de trombofilias na família.

Acredito que deveria ser direito de toda mulher identificar e diagnosticar uma trombofilia logo na primeira gestação para ser poupada de sofrimento.

Essa é uma patologia cada vez mais prevalente, que traz cada vez mais infertilidade e causando abortamentos de repetição. Tudo isso traz um grande desgaste físico e psicológico para a mulher.

Há quem pense que a fertilização in vitro é a solução para esse problema. No entanto, se houver a trombofilia e não for tratada adequadamente, o embrião vai encontrar dificuldades em se alojar e nutrir no útero da mesma maneira.

Por isso, recomendo a toda mulher conversar com seu médico e solicitar exames para entender a relação entre trombofilia e infertilidade em seu caso específico pessoal.

Falo mais sobre esse assunto no vídeo abaixo. Aproveite para fazer sua inscrição em meu canal do YouTube.

Dra. Erica Mantelli

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro. Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro.