Toxinas ambientais e o impacto na fertilidade masculina

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Quando se fala em dificuldades em ter um bebê, infelizmente muitos olham primeiro para a mulher. Mas a fertilidade masculina é algo que também precisa ser analisada.

Aliás, um levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostrou que os homens são os responsáveis em 40% dos casos de infertilidade do casal.

As causas são variadas, e podem incluir varicocele, disfunções hormonais, infecções, tabagismo, alcoolismo, estresse, má alimentação, obesidade.

Mas estudos apontam que as toxinas ambientais também podem afetar a fertilidade masculina. Para saber mais sobre esse tema, confira o artigo abaixo!

O que é a infertilidade masculina?

A infertilidade é definida como a incapacidade de um casal de engravidar por um ano, apesar da relação sexual regular. Quando esse é o caso, os médicos avaliam os dois parceiros para determinar o motivo.

Para os homens, a pedra angular da avaliação da fertilidade é a análise do sêmen, e há várias maneiras de avaliar os espermatozoides. 

A contagem de espermatozoides (o número total de espermatozoides que um homem produz) e a concentração de esperma (número de espermatozoides por mililitro de sêmen) são medidas comuns, mas não são os melhores indicadores de fertilidade. 

Uma medida mais precisa olha para a contagem total de espermatozoides móveis, que avalia a fração de espermatozoides que são capazes de nadar e se mover.

Uma ampla gama de fatores — de obesidade a desequilíbrios hormonais e doenças genéticas — pode afetar a fertilidade. 

Para muitos homens, existem tratamentos que podem ajudar. Mas, a partir da década de 1990, os pesquisadores notaram uma tendência preocupante. 

Mesmo quando controlando muitos dos fatores de risco conhecidos, a fertilidade masculina parecia estar diminuindo há décadas.

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Declínio da fertilidade masculina

Em 1992, um estudo descobriu um declínio global de 50% na contagem de espermatozoides em homens nos 60 anos anteriores. 

Vários estudos nos anos subsequentes confirmaram esse achado inicial, incluindo um artigo de 2017 mostrando um declínio de 50% a 60% na concentração de espermatozoides entre 1973 e 2011 em homens de todo o mundo.

Esses estudos, embora importantes, focaram na concentração ou na contagem total de espermatozoides. 

Então, em 2019, uma equipe de pesquisadores decidiu se concentrar na contagem total de espermatozoides móveis, mais poderosa. 

Eles descobriram que a proporção de homens com uma contagem normal de espermatozoides móveis diminuiu em aproximadamente 10% nos 16 anos anteriores.

Fatores ambientais envolvidos

Os cientistas sabem há anos que, pelo menos em pesquisas com animais, a exposição tóxica ao meio ambiente pode alterar o equilíbrio hormonal e prejudicar a reprodução. 

Os pesquisadores não podem expor intencionalmente pacientes humanos a compostos prejudiciais e medir os resultados, mas podemos tentar avaliar as associações.

À medida que a tendência de queda na fertilidade masculina emergia, os produtos químicos e as toxinas ambientais passaram a ser olhadas em busca de respostas. 

Essa abordagem não permite estabelecer definitivamente quais produtos químicos estão causando o declínio da fertilidade masculina, mas o peso das evidências está crescendo.

Muitas dessas pesquisas se concentram em desreguladores endócrinos, moléculas que imitam os hormônios do corpo e destroem o frágil equilíbrio hormonal da reprodução. 

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Plásticos e pesticidas

Isso inclui substâncias como ftalatos — mais conhecidos como plastificantes — bem como pesticidas, herbicidas, metais pesados, gases tóxicos e outros materiais sintéticos.

Plastificantes são encontrados na maioria dos plásticos — como garrafas de água e recipientes de comida — e a exposição está associada a impactos negativos na testosterona e na saúde do sêmen. 

Herbicidas e pesticidas são abundantes na alimentação e alguns — especificamente aqueles com compostos orgânicos sintéticos que incluem fósforo — são conhecidos por afetar negativamente a fertilidade.

A poluição do ar envolve as cidades, sujeitando sua população a partículas, dióxido de enxofre, óxido de nitrogênio e outros compostos que provavelmente contribuem para a qualidade anormal do esperma. 

A exposição à radiação de notebooks, celulares e modems também foi associada à diminuição da contagem de espermatozoides, comprometimento da motilidade espermática e formato anormal dos espermatozoides. 

Metais pesados ​​como cádmio, chumbo e arsênico também estão presentes em alimentos, água e cosméticos e também são conhecidos por prejudicar a saúde e a fertilidade.

A fertilidade do casal precisa ser avaliada

É por isso que, quando um casal tentante enfrenta problemas para a gestação, ambos devem ser examinados, e não apenas a mulher.

Diante dessa exposição às toxinas ambientais, cada vez mais homens enfrentam problemas de fertilidade, e isso precisa ser diagnosticado e tratado.

Em alguns casos, pode-se partir para outros métodos, como a inseminação artificial ou a in vitro, permitindo que o casal possa realizar o sonho de ter um bebê.

Espero que o artigo tenha sido útil e para saber mais sobre gestação, fertilidade e parto seguro, siga também nosso canal no Youtube!

Dra. Erica Mantelli

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro. Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro. Especialização em sexualidade humana pela Universidade de SÃO Paulo / USP.