Sexualidade no pós-parto exige cuidados especiais?

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A sexualidade no pós-parto é sempre um ponto de muitas dúvidas para a mulher, e também para o casal. Afinal, há aquele medo de que algo possa acontecer.

Depois do nascimento do bebê ocorre o pós-parto, que dura em média 40 dias e que antigamente era chamado de quarentena. É um período em que o corpo da mulher vai retornar às condições anteriores ao parto.

Também o útero vai sofrendo o seu fechamento progressivo ao longo dos dias. Se a mulher tiver relação sexual — independente da via de parto — neste período, poderá ter a entrada de bactérias que poderão causar infecções uterinas graves, comprometendo a sua qualidade de vida e saúde.

Então, o período de abstinência deve sim ser respeitado! E para falar mais sobre a sexualidade no pós-parto, preparemos o artigo abaixo com informações bastante úteis para o casal.

Novamente a primeira vez

Algo muito importante é que o casal entenda o pós-parto é um que deve ser respeitado. Inclusive, aos nossos pacientes sempre falamos que a relação sexual após o parto precisa ser como se fosse a primeira vez da mulher. 

Isso ocorre por conta do processo de aleitamento materno. Com a produção de prolactina, muitas vezes ela causa a liberação de alguns hormônios sexuais. Com isso, mulheres em aleitamento materno tem um ressecamento vaginal. 

Esse ressecamento ele pode causar certo desconforto e dor durante a relação sexual,  principalmente na penetração inicial.

E mesmo no movimento de vai-e-vem, a fricção do pênis na região genital pode causar dor, algumas fissuras, então é importantíssimo o casal conversar para que a mulher esteja no momento relaxada. Outro ponto é gastar tempo nas preliminares.

Enquanto o homem é como se fosse um interruptor de luz, com o botão liga-desliga e já está pronto, a mulher é diferente. Esse botão único de liga-desliga é como se fosse um painel de avião, cheio de botões piscando e para funcionar, para levantar voo, é preciso ir apertado todos os botões e até chegar nas condições ideais.

Então, por isso que é importante o período de conversa das preliminares, o tempo que a mulher demora para ser excitada para produzir lubrificação natural adequada, para o organismo dela entender que ela está numa fase de relação sexual.

No caso das mulheres há uma demora maior, em média de 8 a 10 minutos. Desta forma, é importante as preliminares.

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Corpo mais sensível

Outro ponto importante quando se fala em sexualidade no pós-parto é sobre o corpo da mulher. Como ela está amamentando, suas mamas podem estar mais sensíveis. 

E como o corpo está retornando ao processo antes da gestação, pode ter uma flacidez de pele abdominal, celulite. 

Com muitas mulheres não estão confortáveis realmente com seu corpo, nesse período elas acabam evitando a relação sexual. 

Nesse sentido, é importantíssimo o parceiro entender isso, que é uma fase e que o casal deve conversar para ela voltar a ter intimidade. Há também o medo de sentir dor, o medo de sentir algum desconforto na relação sexual.

Esse medo pode fazer com que a mulher fique mais tensa na relação sexual,  possa fechar as pernas e ficar engessada na região perineal.

Isso torna a penetração mais difícil e pode causar um desconforto ainda maior na mulher. Nesses casos, uma indicação é a fisioterapia pélvica, para ajudar nesse retorno da relação sexual. 

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Lubrificação vaginal

No pós-parto, a mulher também pode ter menos lubrificação vaginal, por conta do aleitamento materno. 

Para esse ressecamento, existem vários lubrificantes que podem ser indicados à base de água, até mesmo óleo de coco, que é natural e que tem ação antifúngica e antibactericida.

O óleo de coco pode ajudar acalmar a região e melhorar a lubrificação. Também existem hidratantes hormonais que podem ser usados continuamente pela mulher, mas sempre com indicação médica. 

São hidratantes específicos para região genital e são utilizados cerca de três vezes por semana. Dependendo do caso, a mulher pode ser orientada a usar para melhorar também esse desconforto nessa fase da sua sexualidade pós-parto. 

A fisioterapia pélvica pode ser indicado para algumas mulheres quando essas queixas vão ficando cada vez mais prolongadas, ou não melhora o desconforto na relação sexual. 

Muitas vezes pode ser indicado também usar o laser íntimo, que vai melhorar tanto esse desconforto, bem como a produção de colágeno da região vaginal. Isso melhora a mucosa e a mulher pode sentir prazer novamente na relação sexual.

Cansaço e atenção

Outro ponto que precisa ser considerado pelo parceiro na sexualidade da mulher no pós-parto é todo o cansaço que ela sofre. Afinal, além de todo o desgaste do parto, ela sofre com a falta de privação de sono, com as mamadas frequentes do bebê, entre outros pontos.

Por isso, é importante que o homem entenda esse momento da mulher, que não quer dizer que ela deixou de amá-lo, que deixou de ter desejo sexual pelo marido. É apenas uma fase normal na vida da grande maioria das mulheres. 

É importante nesse momento uma maior participação do marido nas tarefas domésticas, em cuidar do bebê para que a mulher possa tomar um banho mais demorado, que não precise se preocupar tanto com o bebê por alguns momentos. 

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Um relacionamento constante

E por fim, quando falamos em sexualidade no pós-parto, é essencial também uma conexão maior do casal. É eles usarem sua rede de apoio para que possam ficar um tempo juntos, se namorarem.

É cozinhar juntos, falar dos sonhos, projetos, da parceria como um casal. Tudo isso com certeza os torna mais unidos, não apenas no dia a dia, mas também na sexualidade, nas relações sexuais.

Portanto, espero que tenham gostado do artigo sobre sexualidade no pós-parto e, para mais dicas e muita informação sobre toda a mudança que ocorre no organismo feminino, conheçam nosso curso “Bebê Genial” clicando no botão abaixo!

Dra. Erica Mantelli

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro. Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro. Especialização em sexualidade humana pela Universidade de SÃO Paulo / USP.