Perda de libido feminina: como contornar essa disfunção?

Perda de libido feminina: como contornar essa disfunção?

A perda de libido nas mulheres tem muitas causas potenciais. Pode ser médico, emocional, psicológico, ou mesmo estresse relacionado ao trabalho e à família. 

A boa notícia é que identificar a causa raiz da baixa libido pode levar a opções de tratamento eficazes. Saiba que não é incomum que casais tenham uma disparidade em seus impulsos sexuais. 

Na maioria das vezes, em um relacionamento heterossexual, é a mulher que tem a libido mais baixa. Isso pode ser angustiante para ambos os parceiros e até mesmo colocar o relacionamento em risco se não puder ser resolvido.

Vale lembrar que a relação sexual é uma parte essencial na vida de qualquer ser humano. Dessa forma, é também um dos pilares para o bem-estar e qualidade de vida tanto individualmente quanto em casal.

Infelizmente, é comum algumas pessoas confundirem a falta de libido com a falta de amor. Uma coisa não tem nada haver com a outra. Por isso, é importante saber que há tratamento.

O que é a perda de libido?

O termo médico para baixa libido e falta de interesse por sexo é transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH). Embora haja algum debate sobre se a falta de desejo sexual da mulher deve ou não ser vista como um transtorno. 

Por exemplo, a pesquisa mostra que a libido feminina difere da dos homens e que as mulheres têm naturalmente uma libido mais baixa. Elas também pensam em sexo com menos frequência do que os homens.

 Alguns dos sintomas de TDSH incluem: 

  • Dificuldade em obter prazer com sexo ou estimulação genital
  • Desinteresse em iniciar sexo 
  • Falta de interesse na atividade sexual 
  • Pensamentos ou fantasias sexuais inexistentes

Quais são as causas

É importante notar que algumas flutuações no desejo sexual são naturais e saudáveis. Mas existem também muitos outros fatores que podem reduzir o desejo sexual que não seriam qualificados como perda de libido.

Para descartar TDSH, trabalhe com seu médico para identificar quaisquer causas potenciais, bem como opções de tratamento. Uma vez que não existem testes médicos específicos que possam diagnosticar esse transtorno, seu médico irá querer saber sobre seus sintomas para entender mais sobre como seu baixo desejo sexual está afetando seus relacionamentos e sua vida.

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Fatores Médicos

Da mesma forma, em alguns casos uma condição médica subjacente pode estar por trás da libido baixa. As seguintes condições e medicamentos podem diminuir o desejo sexual:

  • Uso de anticoncepcionais hormonais
  • Problemas na tireoide
  • Antidepressivos 
  • Estar acima do peso ou ser obeso 
  • Medicamentos para pressão arterial 
  • Condições crônicas de saúde, como diabetes, hipotireoidismo, artrite, anemia, doenças cardiovasculares ou doenças endócrinas ou neurológicas 
  • Dor crônica ou física, que pode estar associada a uma condição médica
  • Condições, como vulvovaginite, que tornam o sexo doloroso 
  • Depressão e transtornos de ansiedade 
  • Diminuição do fluxo sanguíneo para a vagina e útero 
  • Deficiência hormonal, flutuações hormonais ou baixos níveis de testosterona 
  • Incontinência
  • Lesão de vasos sanguíneos ou nervos após uma histerectomia ou outra cirurgia envolvendo os órgãos reprodutivos 
  • Menopausa, gravidez ou amamentação 

Contudo, nos casos em que medicamentos, como anticoncepcionais ou antidepressivos causam diminuição do desejo sexual, seu médico pode sugerir algum com menos efeitos colaterais. Jamais pare de tomar seus medicamentos sem a aprovação do seu médico.

Fatores pessoais

O estresse da vida diária pode ter um impacto sobre sua libido. Muitas mulheres, por exemplo, têm menos desejo por sexo depois de terem filhos por estarem muito ocupadas e cansadas. 

Ou, porque se concentram mais nos filhos do que no casamento. Se o seu corpo mudou ao longo do tempo ou após o parto, isso também pode causar danos.

O estresse no trabalho também pode afetar negativamente sua libido, especialmente quando você precisa cuidar de uma família. No final do dia, o sono se torna a prioridade, não o sexo. 

E se você está lidando com seu estresse fumando e bebendo mais álcool do que o normal ou usando outras substâncias — prescritas ou não — sua libido provavelmente sofrerá como resultado.

Fatores baseados em relacionamento

Por exemplo, um dos fatores mais fortes que afetam o impulso de uma mulher é a qualidade de seu relacionamento e a conexão emocional com seu parceiro sexual. Os problemas que podem interferir na sua vida sexual incluem:

  • Desejo de punir ou controlar seu parceiro negando sexo
  • Infidelidade
  • Problemas antigos de relacionamento não resolvidos e ressentimento
  • Desequilíbrios de poder no relacionamento

Existe tratamento

O mais importante é a mulher saber que existe tratamento para a perda da libido. Por isso, o primeiro passo é identificar a causa, que como listamos acima pode ser médico, pessoal ou baseada no relacionamento.

Para isso, pode ser necessária uma abordagem multiprofissional, que com base na causa, indicará o melhor tratamento. Por exemplo, se os problemas forem identificados como baseados no estresse ou no relacionamento, há várias abordagens que podem ajudar. 

Nesse caso, pode até mesmo ser traçado um plano que envolva também seu parceiro no processo. Isso permite superar quaisquer problemas que possam estar afetando seu relacionamento.

Além disso, mudanças no estilo de vida, como exercícios regulares, uso de intervenções baseadas na atenção plena, reservar tempo para intimidade ou experimentação sexual podem ajudar a aliviar o estresse e melhorar a libido. Mas tudo sempre deve ser feito com muito diálogo.

Mais importante é que é direito da mulher vivenciar sua sexualidade com prazer. Ela tem direito de ser amada, ser cuidada. Ela deve dar prazer e também receber prazer. Por isso, se você está sofrendo com a perda de libido, busque ajuda. Você merece uma vida sexual plena. 

Confira também o vídeo da nossa especialista em sexualidade Dra Érica Mantelli sobre o tema!

Dra. Erica Mantelli

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro. Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro.