Consumo de chá na gestação: será que pode?

Consumo de chá na gestação: será que pode?

Sabemos que existem muitas dúvidas sobre o consumo de chá durante a gestação, a amamentação e até no preparo para engravidar. Será que faz bem ou faz mal?

Para responder a essa dúvida, precisamos entender a complexidade que as plantas medicinais representam. O tratamento e a prevenção de doenças a partir do uso de fitoterápicos reúne benefícios em diferentes contextos clínicos.

Hoje, vamos abordar o uso de chás para fertilidade, gestação e amamentação. Cada uma dessas fases é bastante distinta e deve ter prescrição adequada.

Toda planta pode ser muito mais que um simples chá e pode se tornar poderosas aliadas da saúde, desde que consumida de acordo com as próprias necessidades e em quantidades adequadas.

É o que mostram estudos científicos aplicados em grupos que passam por essas fases.

Cuidados ao tomar chá na gestação

O chá na gestação está liberado, no entanto, pede-se que não sejam consumidos chás à base de ervas. 

Fitoterápicos podem ser considerados usinas de bioativos e, conforme as suas condições de cultivo e manejo (solo, clima e microorganismos) reúnem propriedades em concentrações diferentes. O preparo e o tempo de aquecimento também determinam essas variáveis.

A gestação é um momento único para a mulher, assim, não é possível trabalhar com 100% de certeza em relação à metabolização dessas substâncias pelo organismo.

Assim, o ideal é não abusar das ervas. Uma alternativa pode ser o consumo de chá de cascas de frutas orgânicas, devidamente higienizadas, a serem consumidas em até 12 horas.

Fitoterápicos para a fertilidade

Estudos científicos realizados em 12 semanas demonstraram que algumas plantas podem beneficiar o equilíbrio hormonal necessário à fertilidade. Uma delas é a mucuna pruriens, conhecida como feijão da flórida.

O consumo desse fitoterápico está associado a maiores taxas de FSH e LH, hormônios responsáveis pela ovulação. Além disso, regula os níveis de prolactina que, quando estão muito altos, podem prejudicar a produção de FSH e LH.

No organismo masculino, está associado ao aumento da testosterona e melhora do espermograma.

No entanto, esse fitoterápico não é indicado para pacientes com hipotireoidismo subclínico devido aos seus efeitos na produção do TSH.

E para quem amamenta?

Para mulheres com dificuldade em produzir leite, uma das estratégias adotadas pode ser a prescrição do fitoterápico feno grego. Sua ação privilegia a iniciação, a manutenção e o aumento da produção de leite.

No entanto, o feno grego não deve ser utilizado por gestantes. Sua ação pode contribuir para anomalias congênitas no bebê.

Em todas essas situações, a orientação do obstetra e do nutricionista materno-infantil é fundamental. O uso de fitoterápicos, por si só, não resolve nenhum problema. O ideal é que o consumo esteja atrelado a uma dieta balanceada, sono saudável e prática de exercícios, sempre de acordo com orientação profissional.

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Dra. Erica Mantelli

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro. Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro.