Parto humanizado e domiciliar são a mesma coisa?

Você pensa que parto humanizado e domiciliar são sinônimos?

Em meu cotidiano de consultas, recebo muitas mulheres que trazem essa questão. Algumas delas, chegam a formular a frase assim: “Desejo o parto normal, mas não quero parto humanizado”.

Devido à veiculação das informações pela internet, em que boa parte das defensoras do parto humanizado dão exemplos de parto domiciliar e até recomendam, a essência desse importante conceito se perdeu.

Parto humanizado e domiciliar não são a mesma coisa!

Um parto domiciliar pode ser humanizado. Um parto cesáreo pode ser humanizado. Tanto faz se realizado no hospital ou em casa, desde que exista uma equipe à disposição para atender prontamente qualquer possível emergência.

Dito isso, quero aprofundar no que consiste um parto humanizado. Continue até o final do artigo para saber por que é tão importante para saúde e bem-estar de mãe e filho esse conceito.

Respeitando a fisiologia

Existem hospitais que separam mãe e filho logo após o nascimento. Qual animal aceita ficar longe do seu filhote momentos após o parto? Nenhum! E nem humanos devem ficar.

São as questões da natureza e da fisiologia que devem ser respeitadas em qualquer tipo de parto. Isso é parto humanizado: respeitar as vontades da mulher e apoiá-la.

Os fatores emocionais são essenciais para mãe e filho. Ambos passam por um momento de transição durante o parto, portanto, deve ser o menos traumático possível.

Já falei aqui neste artigo sobre as diferenças entre partos e por que ambos podem ser humanizados.

Técnicas para diminuir os traumas

Quando falo em trauma, não necessariamente digo que resulta em transtorno, mas sim que é um estado de choque. Por exemplo, a quantidade de luz no local do parto.

Se quando alguém acende a luz em um ambiente totalmente escuro machuca seus olhos, imagine o que é para o bebê deixar a escuridão uterina e deparar-se com a luz do nosso mundo.

O ambiente do útero é escuro, úmido e bem quente. Garantir que o espaço conta com o mínimo possível de luz e está aquecido já ajuda a diminuir esse impacto. Também vale tocar alguma música calma que a mãe tenha ouvido durante a gestação.

O contato com o ar, com novas vozes, cheiros, o fato de ser pesado e vacinado… Tudo isso gera estresse no bebê. Por isso, o nascimento gentil deve ser estimulado.

Mãe e filho devem ser respeitados, com o nascimento no formato desejado quando não oferece riscos e também no tempo certo de cada um.

O primeiro contato entre mãe e bebê

Logo após o nascimento, é essencial para o bebê manter o contato com sua mãe. Apenas o toque da pele é responsável por transmitir os anticorpos necessários para ficar imune às bactérias.

O mesmo vale para o contato com o seio materno. Há quem diga não ser necessário, afinal, o bebê dificilmente suga o colostro nesse momento. De fato, o maior benefício fica com a imunidade do bebê e a liberação de prolactina pela mãe, estimulando a produção de leite.

Também vale a pena esperar pelo menos três minutos antes de cortar o cordão umbilical. Durante esse período curto, o bebê recebe um grande aporte de células tronco. Essas células ajudam a formar a imunidade e previnem inúmeras doenças em seus primeiros anos de vida.

Por isso, o parto humanizado deve ser praticado. Independente de onde é realizado, com intervenção cirúrgica ou por vias normais.

Espero que este artigo seja esclarecedor a você sobre parto humanizado e domiciliar.

Para saber mais, assista ao vídeo abaixo e aproveite para se inscrever em nosso canal do Youtube.

Dra. Erica Mantelli

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro. Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro.
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